O legado de Bàbá Paulo de Efón: preservando a memória dos terreiros extintos

A maior importância do documentário em questão se revela no fato de que os únicos registros existentes — não apenas orais, mas também fotográficos — sobre o extinto terreiro foram produzidos graças à iniciativa e dedicação de Bàbá Paulo de Efón.

As únicas imagens conhecidas do Olóòròkè foram captadas por seu olhar atento, assim como os retratos raros de algumas das mais respeitadas sacerdotisas da tradição: Ìyá Noélia, Ìyá Crispiniana, Ìyá Maria Bernarda da Paixão e Dona Matilde de Jagun.

No caso de Ìyá Maria Bernarda e Dona Matilde de Jagun, as fotografias hoje conhecidas são, na verdade, registros dos retratos reconstituídos por solicitação de Bàbá Paulo, já que os originais encontravam-se em estado deteriorado.

Esse trabalho, realizado em uma época em que a documentação da cultura afro-brasileira não era prioridade para instituições oficiais, constitui um acervo de valor inestimável. Graças a Bàbá Paulo, a memória dessas figuras centrais do Candomblé não se perdeu e pôde ser resguardada para as futuras gerações.

Mais do que simples imagens, trata-se de testemunhos históricos e espirituais, que resgatam não apenas a presença física dessas lideranças, mas também o peso simbólico de suas trajetórias e da força ancestral que cada uma representava.

Assim, o documentário não é apenas uma obra audiovisual: é um ato de resistência, memória e reverência àqueles e àquelas que construíram e sustentaram os fundamentos sagrados do Axé.

O documentário põe fim a um mistério que pairava sobre a Nação Ẹ̀fọ̀n por mais de 30 anos, que era o paradeiro do assentamento do Olóòkè da fundação do terreiro e patrono da nação. Que desde 2002 está sob os cuidados de Bàbá Paulo após ser entregue por Ìyá Noélia.

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